O Manifesto da Anti-Pegadinha, também conhecida como Meta-Pegadinha
O cliente se deita na maca, pronto para receber a massagem com martelo e cunha (como no Tok Sen ou no Seitai). O massagista, em vez de retornar com ferramentas de madeira, volta com um pesado martelo de aço e uma estaca pontiaguda. O cliente se assusta diante de algo claramente inadequado e perigoso, mas pensa: "Ele sabe o que está fazendo." O aço desce com força, perfurando a pele e causando muita dor. Ele vai embora se sentindo estúpido. A anti-pegadinha nasce no exato ponto em que a confiança nos padrões comuns é punida pelo próprio mundo que esses ajudaram a racionalizar.
O riso vem da realidade - como o instante onde se é percebido (é uma pegadinha) não altera o resultado real, se não por meio de uma ação que só poderia ser definida como irracional. Anti-pegadinha é uma consequência, uma surpresa tardia que vai além do contrato social do humor, podendo envolver marcas, dor ou hematomas.
A confiança no racional é, em si, uma armadilha da ingenuidade. Não há catarse, apenas a constatação de que somos cândidos. A razão não protege do sofrimento; as coisas permanecem incoerentes. O absurdo é constante e precisa ser devolvido ao coletivo popular.
Como em uma versão moderna do Experimento de Milgram, o sujeito entra no experimento consciente do panorama geral e racionaliza a situação como algo controlado. Ele escuta gritos à medida que aumenta a voltagem do choque aplicado ao alvo. "Torturar pessoas com eletricidade viola os direitos humanos... portanto, para que o experimento exista, o alvo deve ser apenas um ator e os choques são de mentira." A voltagem máxima é atingida; os gritos cessam, seguidos por um som pesado batendo no chão. Ao sair do teste, o sujeito vê o alvo morto, caído no chão.
Um amigo diz que cometeu um homicídio e pede que você esconda a arma, falando em um tom sério que ainda pode ser interpretado como brincadeira. Você concorda e esconde a arma, supondo que se trata de uma pegadinha. Alguns dias depois, a polícia bate à sua porta e o prende.
Ou, como em uma galeria de arte, pode-se inserir discretamente uma obra vinda de fora: os funcionários irão reconhecer a intervencão, enquanto os turistas acreditam que seja apenas mais uma arte da coleção.
Descobre-se tarde demais que nunca houve pacto algum a ser quebrado...
Nenhum comentário:
Postar um comentário